capy_baras

Entrada 4: Água com gás (e novidades no front)

Oi, Brasil. Eu estou de volta. Já faz um mês, na verdade. Pensei muito antes de voltar a escrever aqui... nunca é fácil admitir uma derrota (muito embora ninguém aqui soubesse o que raios eu estava fazendo perdida na Noruega). O que houve, por razões legais (rs), não vem ao caso, e tudo o que eu quero é esquecer a minha ex-colega de intercâmbio e seguir minha vida. Eu voltei pertencendo um pouquinho a um país que não é o meu, deixando um "até logo" para amigos que fazem falta, lembrando do azul do céu que não existe em nenhum outro lugar. Eu voltei com a minha moeda de 1 krone pendurada no pescoço, com novas músicas presas aos meus ouvidos e um coração que, apesar de tudo, voltou a ver sentido nas coisas bonitas da vida, nos encontros, nas pessoas. Eu voltei, também, para essa terra linda, colorida, variada de bicho e planta e gentes. Eu voltei para os bem-te-vis, para o jantar de família com fofoca na mesa, voltei para uma água com gás decente (se tem uma coisa que eu odeio na Noruega é aquela água com gás com gosto de cimento), as frutas mais doces e o café brasileiro.

Agora eu consigo ver meu namorado outra vez! Nessa semana, viajamos para Curitiba, onde eu nasci. Andamos pelos parques, vimos muito verde e capivaras (sina de brasileira namorando gringo)(mentira, eu também adoro capivaras), fomos ao mercado e eu, finalmente, assisti os ep. 4, 5 e 6 de Star Wars. É TÃO bom poder fazer as coisas simples e bobinhas sem precisar vê-lo o tempo todo por uma tela! A verdade é que a vida que eu encontrei aqui está longe de ser perfeita, mas estar com ele me traz calma, e me faz sentir que vai ficar tudo bem.

Eu estou, muito provavelmente, em um processo de Stress Pós-Traumático. Quando o presente começou a lembrar demais o passado, a ansiedade, a depressão e a fobia social deram as caras outra vez. Eu preciso me convencer todos os dias de que as pessoas que eu amo não estão mentindo para mim, que eu não estou em perigo, que há mais bem do que mal no mundo. E eu estou conseguindo, embora isso exija muita paciência das pessoas à minha volta e muita, muita energia da minha parte. Apesar disso, acabei realizando um dos meus desejos: hoje eu entendo pelo quê quero lutar. Eu passei alguns anos meio anestesiada em meio a tantos absurdos. Isso é assunto para uma Entrada separada... basta dizer que, apesar de tudo, apesar do ódio, da raiva, do medo e de certo desejo de vingança imediata, eu escolho outro caminho. Eu devo a mim e às minhas versões de sete, doze, quinze anos. Eu não posso voltar no tempo e me salvar de certar situações; eu posso lutar, com o que estiver disponível, para que elas não aconteçam a outras pessoas. Talvez, quando eu me sentir mais confortável, escrever a respeito seja o primeiro passo... Por ora, o sol está brilhando e uma criança acabou de sorrir pra mim, então a vida não parece tão assustadora.

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